A edição de junho/07 da publicação Plástico em Revista trás importante matéria sobre o panorama brasileiro do mercado de geomembranas de PEAD, com ênfase especial à entrevista concedida pelo Diretor de Engenharia Leandro Dhein.
PR – Como avalia o consumo de geomembranas no Brasil?
Dhein – Creio que ele não deva apresentar aumento em relação ao exercício de 2007, pois o crescimento econômico apresentado pelo Brasil ainda não provocou uma sensível ampliação de novos projetos que envolvem infra-estrutura e essas obras dependem muito de ações públicas.
PR – A seu ver, os pacotes de incentivos à construção civil e a obras públicas de infra-estrutura e saneamento estão se refletindo em aumento da demanda de geomembranas no Brasil este ano?
Dhein – Os projetos de infra-estrutura que foram apresentados pelo poder público realmente vão refletir na demanda de geomembrana, mas este reflexo não deve ser percebido neste exercício. O maior projeto que envolve geomembranas, capaz de se tornar um acelerador da demanda, e o transposição do curso do Rio São Francisco. Entre suas diretrizes está prevista a ‘”impermeabilização” dos canais com geomembranas.
PR – Dá para comparar os atributos de PE e PVC em geomembranas?
Dhein – PE tem uma grande vantagem sobre o PVC, devido em especial à sua grande compatibilidade com a maioria dos componentes químicos depositados sobre a geomembrana. Afinal, suas principais aplicações são contenção e desvio de fluxos em obras ambientais, o que depende de polímeros muito resistentes quimicamente. Outra vantagem do PE sobre o PVC, na aplicação como geomembrana, é a durabilidade.
PR – Qual o cenário atual para geomembranas em obras de proteção ambiental e de contenção de água?
Dhein – A demanda para obras de proteção ambiental tem um percentual significativo no montante e possui uma constância, o que muito colabora para a sazonalidade deste mercado. Em relação ao segmento de contenção de água, tanto para uso humano como aplicações agropecuárias, ele exibe projetos isolados que apresentam volumes significativos, mas não possuem constância.
PR – Quais as conveniências da coextrusão blown e cast para a produção de geomembranas?
Dhein – O processo de filme blown tem vantagens consideráveis quanto à orientação molecular e conseqüente equilíbrio entre as propriedades mecânicas nos dois sentidos do produto acabado (DM e DT), o que é fundamental para geomembranas, pois os esforços que ela sofre em campo sempre ocorrem em todos os sentidos. Outra vantagem do processo blown sobre o cast é o perfil e distribuição da espessura. Como a geomembrana é um produto de altas espessuras e larguras superiores a 5m, o sistema cast tem dificuldades de levar até as extremidades o material plastificado, gerando assim um perfil de espessura não linear, pois são utilizadas calandras de grandes dimensões e peso muito elevado. Já pelo processo blown, a massa plastificada é conduzida de forma homogênea pela matriz, garantindo ao produto final um perfil de espessura muito mais regular da geomembrana.
PR – Qual o processo selecionado pela Plastisul?
Dhein – A Plastisul emprega somente a extrusão blown em suas geomembranas. Em Sapucaia do Sul, ela possui uma unidade exclusiva para geomembranas, filial denominada Plastisul Geossintéticos, onde todas espessuras (0,50mm/0,80mm/1,00mm/1,50mm/2,00mm/2,50mm) são produzidas por monoextrusão. Na unidade principal, a empresa dispõe de outro equipamento para produzir geomembranas de até 1,00mm por coextrusão em três camadas.
PR – Quais as aplicações por excelência das geomembranas texturizadas, também produzidas pela Plastisul?
Dhein – A geomembrana tem como função principal a contenção e condução de fluxo, erroneamente chamada de impermeabilização. No caso da aplicação de geomembrana texturizada, o que se busca é um maior coeficiente de atrito entre o substrato e a geomembrana ou entre ela e a cobertura, a exemplo de concreto.
PR – Por quais razões permanece limitado o uso de geomembranas na mineração brasileira, em contraste com países como Chile?
Dhein – A mineração no Brasil está avançando e ainda tem muito a crescer, contribuindo para o aumento da demanda interna de geomembrana. A diferença entre a situação brasileira e chilena é estabelecida pelo minério em si. No Chile, a base da mineração é a extração de cobre, enquanto por aqui tem expressão a extração de minério de ferro. O consumo de geomembrana é muito maior para se conseguir extrair minério de cobre do que no trabalho com minérios de ferro. |